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Encontro Nacional de Base aponta
alternativas para a Campanha Salarial


 

Com o objetivo de construir alternativas para a campanha salarial deste ano, bancários de diversas regiões do país se encontraram no último sábado, dia 26 de agosto, no Rio de Janeiro. Como o Encontro aconteceu por fora da poderosa (e pelega) estrutura da Contraf/CUT, a maioria dos bancários de base que estiveram presentes custearam as despesas do seu próprio bolso, movidos pela intenção de apresentar a categoria bancária uma possibilidade de luta contra a tríplice aliança formada desde a campanha salarial de 2004, composta por banqueiros, Governo e sindicatos.

Desde a Conferência Nacional convocada pela Contraf/CUT ficou patente a postura subserviente  e governista defendida pela maioria dos sindicatos ao definir que manteriam a estratégia de Mesa Única de negociação,  ao se negarem a reivindicar a reposição das perdas do plano real para os bancários do BB e da CEF e ao definirem que, mesmo depois dos históricos resultados dos bancos, os bancários, responsáveis pelos lucros estratosféricos, deveriam reivindicar apenas o índice pífio de 7,05% acrescidos da falaciosa inflação de cerca de 3%.

As posições aprovadas na Conferência da Contraf/CUT só demonstram que a burocracia que controla quase todos os sindicatos do país, inclusive o daqui da Bahia, está muito mais preocupada em eleger e/ou reeleger os seus candidatos nas próximas eleições, gerando ainda mais cargos na burocracia  do Estado para acomodar aqueles que fizeram do movimento sindical apenas um trampolim para cargos públicos, ou para administrar fundos de previdência, caixas de assistência, ou mesmo empresas controladas por essas instituições que sempre geram altos salários e excelentes oportunidades de benefícios pessoais. Enquanto isso, o bancário que vive o dia-a-dia das metas abusivas, do assédio moral, das doenças ocupacionais, dos baixos salários, da desigualdade de tratamento, da demissão imotivada, da retirada de direitos como anuênio, PCS, etc., continua sendo chamado apenas para votar nos candidatos deles e contribuir mensalmente com parte dos seus minguados salários para a manutenção desse aparato burocrático.

É por tudo isso que aqueles que não se filiam a essa perspectiva têm buscado criar Movimentos de resistência e combate à prática política dos atuais pelegos do movimento sindical. É com essa intenção que foi criado o Movimento Nacional de Oposição Bancária – MNOB, que reúne bancários de base de diversos Estados, inclusive nós aqui na Bahia. Foi exatamente o MNOB quem teve maior participação no Encontro Nacional de Base.

Uma conjuntura favorável para a luta

Durante o Encontro, que durou todo o dia de sábado, foi feita uma análise da conjuntura na qual ocorre a nossa campanha identificando os elementos que podem favorecer a nossa mobilização. Em primeiro lugar os lucros divulgados pelos bancos recentemente são elementos irrefutáveis para demonstrar a capacidade dos banqueiros em atender as nossas reivindicações. O BB por exemplo teve um aumento de 96% em sua rentabilidade se comparado com o mesmo período do ano passado. Isso mesmo, enquanto os pelegos da Contraf/CUT acham que a reivindicação apropriada é de cerca de 10%, os banqueiros tiveram um aumento da produtividade que chega a quase o 100%.

Outro elemento importante da conjuntura que não pode ser desconsiderado é fato das eleições gerais ocorrerem nesse exato período, o que tornaria o Governo mais suscetível a pressões principalmente dos trabalhadores dos bancos estatais.  Diferente de como os sindicatos estão tratando a questão, procurando evitar que os bancários do BB, da CEF, BNB e BASA possam cobrar diretamente do seu patrão os prejuízos acumulados durante anos de arrocho e de retirada de conquistas, nós  achamos que esse é o momento ideal para intensificarmos as mobilizações demonstrando para a sociedade que, pelo menos no que diz respeito ao salário dos bancários, o Governo Lula, mantém a mesma política, se nega a recompor as perdas e a devolver as conquistas que nos foram arrancadas pelos Governos anteriores. Uma coisa é o discurso de que agora os funcionários podem conseguir avanços, outra bem diferente é a prática que mantém tudo o que tinha antes sob o argumento de não é possível desestabilizar a política econômica.

Por um lado sobra dinheiro para banqueiros, mensaleiros, sanguessugas, etc., por outro falta para segurança, saúde, educação, geração de emprego... esse é o resultado da política econômica do Governo que para gerar o superávit de 4,25 % do PIB, a fim de  pagar os juros da dívida externa para os grandes banqueiros internacionais, mantém a maior taxa de juros do planeta, um dos piores índices de distribuição de renda, uma das maiores taxas de analfabetismo do mundo, sem falar em taxa de mortalidade infantil,  desemprego, saneamento básico, déficit habitacional, que colocam o Brasil entre os países com piores indicadores sociais do planeta.

 

Uma pauta alternativa para a campanha

Em outro ponto da pauta de discussão do Encontro, as várias intervenções foram enfáticas na defesa de uma pauta alternativa na qual estariam contidas as principais demandas da categoria. Assim aprovou-se a luta pelos seguintes pontos:

  • Campanha salarial conjunta com fim da mesa única;
  • Buscar a unidade com outras categorias em luta nesse mesmo período;
  • Reposição das perdas salariais do plano real (30% bancos privados; 89% BB; e 101% CEF);
  • Eleição de representantes de base para participar das negociações;
  • Pelo abono dos dias parados durante as greves de 2004 e 2005 com devolução das horas pagas;
  • Assembléias específicas dos bancos públicos;
  • Isonomia de tratamento entre todos os bancários;
  • Jornada de seis horas para os comissionados;
  • Retorno do anuênio;
  • Restabelecimento do PCS;
  • Estabilidade no emprego;
  • Fim das campanhas de metas;
  • PLR de 25% do lucro com distribuição linear para todos os bancários;
  • Fim das terceirizações com extensão da convenção coletiva para todos os que trabalham nos bancos (limpeza, copa, segurança, etc.)
  • Manutenção das cesta alimentação e cesta refeição para os aposentados; além dos demais pontos contidos no acordo anterior
 

Os encaminhamentos daqui para frente

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Deposite qualquer quantia na conta 352.921-5,  Ag. 1217-3 do Banco do Brasil

Para dar conseqüência a proposta alternativa de pauta e estratégia de campanha aprovadas, o Encontro Nacional de Base dos bancários encaminhou no sentido de realização do dia nacional de luta no próximo dia 05/09 em conjunto com outras categorias que têm data base em setembro, como petroleiros, petroquímicos, metalúrgicos, servidores públicos, etc; pela elaboração de um manifesto nacional contra os rumos da campanha salarial 2006 traçados na Conferência Nacional organizada pela Contraf/CUT; pela convocação de assembléias de base para referendar as propostas; pela entrega da pauta alternativa às direções dos bancos públicos e do Governo; pelo chamamento à base a fim de que não aceitemos as imposições feitas direções sindicais de chapa-branca subordinadas aos interesses do Governo Federal.

Além de tais encaminhamentos, o saldo principal do Encontro é a consolidação do Movimento Nacional de Oposição Bancária – MNOB enquanto uma possibilidade alternativa de organização da categoria bancária contra a política dos sindicatos governistas ligados a Contraf/CUT.

A luta está só começando, ainda há muito a ser feito, mas para que possamos dar vitalidade a essa nova alternativa contamos com a sua participação nos fóruns deliberativos da campanha pois os sindicalistas se aproveitam da falta de participação da base para encaminhar os seus projetos de acordo com os seus interesses políticos e partidários.

Essa luta também é sua!!! Participe e colabore para fortalecer essa nova alternativa de luta.

 
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Movimento Nacional de Oposição Bancária – MNOB/BA

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