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UNIDADE E MOBILIZAÇÃO PARA
DERROTAR O PACOTE DO BB”
GEREL E NUCAC: AS VÍTIMAS MAIORES
No último dia 7 de maio o Banco do Brasil anunciou a implementação de mais um “pacote” de medidas que tem como objetivo maior promover o enxugamento do quadro de pessoal, demitindo ou aposentando até 12.000 funcionários que estão entre o público alvo dos novos Programas de Adequação do Quadro de Pessoal – PAQ e Plano de Aposentadoria Antecipada – PAA, recém-lançados.
Dentre as medidas anunciadas, deste que jáé o maior ataque ao funcionalismo desde os tempos de FHC, estão a centralização dos serviços de suporte, que prevê a redução de 19 para apenas cinco Gerel (Recife, Belo Horizonte, São Paulo, Curitiba e Brasília). Em algumas das unidades que serão fechadas, como é o caso da que funciona aqui em Salvador, restarão apenas e temporariamente algumas “plataformas” denominadas de Centro de Suporte Operacional– CSO; e Centro de Suporte em Logística – CSL, que contarão com menos de 30% do pessoal que compunha a Gerel. Só na Gerel-Salvador existem 123 colegas que estão classificados como“excedentes” que, mais uma vez, se vêm obrigados a buscar abrigo em dependências da Rede Varejo, onde porventura houver vagas, sobretudo após a nova reclassificação de agências. Deverão esses companheiros se alistar na frente de batalha da CABB, a ser criada, migrar para Recife ou, na melhor das hipóteses para o Banco, aderir ao PAA ou ao PAQ. Essa também e a “sorte” destinada aos mais de 100 colegas do NUCAC-Salvador que terão todos os serviços centralizados.
O PACOTE NAS AGÊNCIAS
A Rede Varejo também não está livre da sanha do BB por ampliar o nível de exploração da sua força de trabalho. A nova classificação das agências foi alterada, assim como os critérios para a formação de carteiras (quantidade de clientes e rentabilidade). Os GECON NR2 e NR3 são transformados em Gerência Média Júnior (com salário de GEREX), acarretando perda salarial e extinção de no mínimo 1.970 cargos em todo país. Já o GEREX do suporte e autoatendimento será lotado na CSO.
Os procedimentos de suporte e controle de tesouraria e caixas serão centralizados o que deve acarretar no fim desta função. Para os Caiex há, de imediato, uma redução de cerca de 3000 postos em todo o país, que serão cortadas com terceirização do processamento de envelopes de depósito. O SAO emborrachado também será terceirizado. Os demais caiex serão centralizados nos CSO e só com essas medidas o BB cortará mais de 40% das vagas de caixaexecutivo hoje existentes. Haverá ainda o estabelecimento automático de descomissionamentos caso as metas de produtividade não sejam atendidas e uma vinculação das possibilidades de ascensão profissional totalmente dependentes do atingimento das metas definidas pela empresa.
“Como eu não me importei com
ninguém”
Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro
Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário
Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável
Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei
Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.
Bertold Brecht (1898-1956)
ESSE É O BB “GERINDO PESSOAS”
Como se já não bastasse o que esse conjunto de medidas representa para o funcionalismo, chama a atenção ainda o cinismo com que as administrações do Banco vêm tratando as demandas do funcionalismo. Depois de ficar por três anos enrolando para apresentar uma proposta de PCS que garanta alguma possibilidade de constituição de uma carreira horizontal, o Banco agora anuncia que quer manter o mesmo percentual para os interstícios de ridículos três pontos e ainda se nega a cumprir a legislação que estabelece seis horas para a jornada de trabalho dos bancários. É acintoso o descaso do Banco para com aqueles que, muitas vezes com o prejuízo da sua saúde, desdobraram-se para atingir metas exorbitantes e produzir mais de R$ 6.000.000.000,00 de lucros em um único ano.
O resultado de tamanho esforço é recompensado com corte de pessoal, redução do nível das agências, terceirização e precarização das relações de trabalho, arrocho salarial, descompromisso brutal com a CASSI, falta de isonomia de tratamento, demissões, aposentadorias, etc.
UMA “PRIVATIZAÇÃO ESTATAL”
Às vésperas de completar 200 anos e logo após ter atingido o maior lucro de um Banco no Brasil, o BB “premia” os seus funcionários, reeditando as medidas nefastas que foram adotadas durante o período Collor e FHC. Para aqueles que acreditavam que a eleição de um ex-sindicalista à presidência poderia trazer algum alento ao funcionalismo, o que se vê agora é a continuidade e até o aprofundamento de um projeto que torna o Banco uma empresa privada sem que seja necessária a venda do seu controle acionário.
A atual direção do Banco — que conta com a participação de muitos ex-sindicalistas em diversos pontos chave —, ao divulgar o novo pacote, expressa claramente a sua intenção de dotar a empresa de todas as características necessárias para que a sua atuação siga à risca o modelo adotado nos bancos privados, nacionais e estrangeiros, o que demonstra, tanto para os funcionários como para a sociedade brasileira, que o seu único papel é continuar gerando lucros extraordinários. Tudo isso à custa exatamente de tarifas e taxas de juros escorchantes, aviltamento salarial e precarização das relações de trabalho.
É POSSÍVEL BARRAR E É PRECISO REAGIR
Diante de um ataque como esse, de tamanha proporção, só resta ao funcionalismo organizar uma reação imediata que demonstre toda a nossa indignação. Não podemos ficar parados esperando dos administradores locais uma postura diferente. Estão todos comprometidos com os seus cargos e com os seus projetos pessoais. Devemos, nós mesmos, participar das assembléias e construir uma grande greve que seja capaz de dar um basta a todo esse conjunto de medidas. Só com a nossa unidade e com o fortalecimento da nossa solidariedade de classe conseguiremos barrar o pacote.
Precisamos de você! Precisamos de todos vocês. Nós nos precisamos...
* PELA SUSPENSÃO IMEDIATA DO PACOTE;
* SEIS HORAS PARA OS COMISSIONADOS;
* ISONOMIA DE TRATAMENTO;
* REPOSIÇÃO DAS PERDAS SALARIAIS ;
* RETORNO DO PCS DE 12% E 16%;
* VOTE NÃO NO ESTATUTO DA CASSI
TODOS À ASSEMBLÉIA DE TERÇA-FEIRA DIA 15/05, ÀS 19:00 h, NO GINÁSIO DE ESPORTES PARA RATIFICAR A DEFLAGRAÇÃO DA GREVE.

