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JÁ É HORA DE COMEÇARMOS A
CAMPANHA SALARIAL 2007


 

Dada a experiência dos últimos anos, para nós está claro que temos de começar, desde já, a preparação da campanha salarial 2007. E neste ano é necessário impedir a repetição das manobras de sempre, que têm levado a categoria a fechar acordos ruins ou muito ruins, em função da estratégia de negociação em Mesa Única, definida em conluio por dirigentes sindicais, governo e banqueiros.

Já ficou comprovado, por tudo o que vimos nos últimos anos, que não nos faltam motivos nem disposição para arrancarmos dos banqueiros e do Governo conquistas mais significativas em nossas campanhas, contudo, para que tenhamos mesmo um movimento vitorioso, é necessário constituir uma direção nacional para a categoria, que esteja em consonância com os desejos e os interesses das(os) bancárias e bancários de todo o país e que não se transformem em porta-vozes e/ou representantes do Governo Federal, preocupados exclusivamente em garantir seus cargos e as benesses advindas da promiscuidade que virou regra entre os sindicalistas “neo-pelegos” e os seus “companheiros”, que agora estão sentados do outro lado da mesa de negociação.

No ano passado demos um passo importante ao formarmos um Comando de Base alternativo, constituído por representantes eleitos pela base em assembléias. Desta feita temos que garantir que a negociação e o direcionamento da campanha ocorram por fora do âmbito das tradicionais Confederações, tanto da Contec como da Contraf/CUT, a fim de que o impulso vindo das bases não seja convertido em um novo conchavo feito nos bastidores pelos “senhores sindicalistas”, banqueiros e Governo, que juntos formam a “tríplice aliança” para derrotar o nosso movimento.

Na campanha deste ano é preciso demonstrar a nossa capacidade de mobilização, buscando construir a adesão de todos os colegas, com o intuito de assegurar que nossas principais reivindicações sejam conquistadas. A campanha salarial deve expressar, de maneira inequívoca, o nosso descontentamento com a atual política econômica que privilegia a manutenção dos altos lucros dos banqueiros, ao mesmo tempo em que reserva aos trabalhadores o risco do desemprego ou da informalidade; da terceirização, que precariza as relações de trabalho; da retirada de direitos, por meio de reformas da previdência e trabalhista; e ainda a manutenção de um arrocho salarial, desconhecendo e consolidando perdas históricas que tivemos em nossos rendimentos.
Além disso, principalmente nos bancos públicos, há ainda uma série de questões importantes que precisam ser resgatadas pela luta como a Isonomia entre novos e antigos funcionários; a restituição dos anuênios; o retorno do PCS; as seis horas para os comissionados; a situação da CASSI; os superávits da PREVI; e a migração para o REG/REPLAN na Funcef, dentre outros.

Nós que fazemos parte do Movimento Nacional de Oposição Bancária – MNOB, temos buscado garantir a construção de uma campanha que prime pela independência política, pela autonomia da nossa luta, pela participação da base nas decisões e, acima de tudo, pela transparência no trato dos interesses das bancárias e dos bancários de todo o país, que já não agüentam mais ver greves vigorosas serem rifadas pelos pelegos de novo tipo que estão à frente dos principais sindicatos do país.

A OPOSIÇÃO ORIENTA VOTAR NÃO NA CASSI

No primeiro escrutínio realizado para que o corpo social pudesse apreciar a proposta de mudança do estatuto da CASSI, o quorum necessário para que o acordo firmado entre os pelegos da Contraf/CUT e a direção do Banco do Brasil, não foi atingido.

Muito embora tenha sido feita uma propaganda estrepitosa por parte do Banco, da própria direção da CASSI e dos seus sindicalistas aliados, para que a categoria concordasse em ter que bancar, ela própria, os desajustes da Caixa de Assistência, pelo país afora surgiram vozes que denunciaram o engodo e que não aceitam ver os seus já minguados vencimentos serem consumidos em co-participação em exames. Além do mais, pelo acordo proposto, o Banco se desobriga de manter a relação porcentual entre a sua contribuição e a dos associados, não se compromete em repassar à CASSI a sua parcela correspondente aos abonos de campanhas pretéritas e ainda não se responsabiliza pelo futuro da Caixa de Assistência, quando ela vier a apresentar os mesmo problemas de agora.

Vale lembrar que essa não é a primeira vez que nós somos chamados a arcar com o descontrole administrativo que tem levado ao descredenciamento de diversos profissionais, clínicas e hospitais, a deterioração do atendimento e a falta de recursos para a manutenção do plano. Na última reforma do estatuto, que nos venderam como a “salvação da CASSI”, vimos nossa contribuição triplicar (passou de de 1% para 3%) e, pouco depois, estamos na mesma situação. Novamente, agora, o Banco procura se eximir da responsabilidade de cuidar da nossa saúde e, com a anuência dos sindicalistas da Contraf/CUT, transferir para nós, o ônus de um ajuste que deveria ser exclusivamente seu, haja vista que a degeneração da nossa saúde, em grande parte, é provocada pela relação de trabalho vivida na empresa. Por tudo isso, é que nós indicamos a REJEIÇÃO do acordo e pedimos que todos votem pelo NÃO, exigindo que o Banco volte a negociar uma solução urgente para a CASSI que não penalize, ainda mais, os seus funcionários.

CONGRESSO DOS BANCÁRIOS DA BAHIA: mais do mesmo...

Nos dias 05 e 06 de maio acontece o 9º Congresso do Sindicato dos Bancários da Bahia. Nós da Oposição Operária, já de algum tempo, vimos expressando a nossa posição sobre a crise do sindicalismo e mais explicitamente, sobre o que representam os sindicatos nos dias atuais. Mesmo com uma diversidade de correntes políticas que atuam por dentro dos sindicatos, fazendo desses trampolins para a ocupação de diversos cargos na esfera pública, os sindicatos se mostram cada vez mais incorporados aos aparatos do Estado. Cada vez mais perdem a sua autonomia e se transformam em instâncias burocráticas e cartoriais, cuja atribuição precípua é, tão somente, servir de instrumento de controle dos movimentos dos trabalhadores para que eles não saiam da imposta legalidade institucional.

Dessa forma, apesar de termos entre os militantes da Oposição Operária, companheiros que foram eleitos para participar do referido Congresso, manifestamos aqui a nossa posição de não mais referendar, com a nossa participação ativa, o jogo político que virou regra nas diversas instâncias da estrutura sindical. Mesmo aqueles que dizem apresentar divergências quanto aos rumos trilhados pelo sindicalismo tradicional, terminam por sucumbir às imposições e aos “favores” emanados da cúpula sindical, que, para continuar “deitada em berço esplêndido”, negocia os rebotalhos de cargos e benefícios com as correntes minoritárias, a fim de que elas permaneçam legitimando a grande farra que “esses senhores” fazem em nome dos trabalhadores.

Assim, por não mais acreditarmos na possibilidade de que os sindicatos ainda possam servir à luta dos trabalhadores, muito pelo contrário, nós, da Oposição Operária, de uma maneira muito respeitosa e sincera, agradecemos os votos dos companheiros e companheiras de base que, reconhecem a importância do nosso trabalho, mas declinamos da condição de delegados a esse Congresso e conclamamos a todos e todas que ainda acreditam na necessidade de organizar a luta da categoria bancária contra os banqueiros, o Governo e os pelegos encastelados nos sindicatos, para juntarem-se a nós no Movimento Nacional de Oposição Bancária, a fim de que construamos uma verdadeira alternativa de resistência e de luta exclusivamente a serviço da categoria.

 

 

 

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