A Revista Germinal tem como principal objetivo garantir a inserção da Oposição Operária no cenário contemporâneo dos debates e polêmicas que ocorrem atualmente entre as diversas posições políticas e que marcam a intervenção daqueles que, organizadamente, propoem-se a contribuir com a luta dos trabalhadores tendo em vista a supressão da sociedade de classes.

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A PRECIPITAÇÃO DA CRISE MUNDIAL E A DEMAGOGIA
DOS GOVERNANTES DOS PAÍSES CAPITALISTAS


Parece brincadeira a atitude corrente e recorrente dos homens de governo dos di­versos países, nos mais diversos continentes do globo, consistente em tentar fazer das pessoas co­muns, como nós, de bobos ao divulgarem as opi­niões mais imbecis acerca do caráter e do desen­rolar da crise, com frases como: “o PIB do meu país, que hoje está a 2,5%, deverá crescer, nos dois anos próximos, a 5, 6 ou 7% ou mais ao ano”; “o meu país está imune a esta crise, por­que os fundamentos da nos­sa economia estão sólidos”; “a crise, que foi produto da má gestão das políticas go­vernamentais dos dirigentes dos EUA, não afetará os fun­damentos de nossa econo­mia”; tal ou qual governo eleito agora, “tomará medi­das que superarão a crise”; “vamos criar 1 milhão de empregos, que nos devolverão a capacidade de consumo como medida para a saída da crise”, etc. Opiniões de puro e deplorável efeito ideológico, que não merecem nenhum respeito por parte de todos nós e que são formuladas em cima de pres­supostos falsos com a única intenção de manipu­lar a consciência coletiva.

Primeiro falso pressuposto: não só não é nor­mal a economia de um país, que sofre uma ten­dência de queda sistemática da taxa de crescimen­to do PIB, dar uma reviravolta brusca, em dois ou três anos no sentido ascendente, como não existe qual­quer base de cálculo que nos dê com segurança tal ou qual previsão que saia da margem tendencial registrada. Em outras palavras, se um PIB cresce a 3,5% ao ano em uma série de cinco anos, há uma ten­dência de que ele possa continuar crescendo aos mesmos 3,5% nos próximos anos, mas, do entorno des­sas 3,5% anos, nenhuma va­riação brusca para cima pode ser esperada — a não ser, ob­viamente, que se trate de uma adulteração criminosa das estatísticas e dos cálcu­los da contabilidade nacio­nal, que é, de fato, o expedi­ente de que lançam mãos po­líticos e burocratas dos Es­tados para enganar aos "ci­dadãos".

Segundo falso pressuposto: a crise, como tal, não pode ser revertida pela vontade de um presi­dente ou mesmo um governo eleito, porque a cri­se acontece em obediência a uma lei da economia burguesa, que pode em alguns casos ser parcial­mente contida, mas que, mais cedo ou mais tarde, se impõe numa situação de superprodução/superacumulação que afeta a todos os ramos da economia e que lança sobre os trabalhadores o maior ônus e os maiores sacrifícios dela deriva­dos.

Terceiro falso pressuposto: a atual crise não foi "gerada" nos EUA, porque, a despeito de ser a economia dos EUA o seu epicentro, essa crise é um processo sistêmico de uma economia capitalis­ta "globalizada" em cuja totalidade a lei das crises do capital opera. É mentira de quem diz que vai criar 1 milhão de empregos numa depressão, como a de agora ­que combina superprodução na base produtiva com crise na instância financeira -, cuja precipita­ção está apenas começando e que, na verdade, só tem uma larga perspectiva de aumentar o desem­prego e o achatamento dos salários.

 

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