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Revista Germinal

 

 


EDITORIAL


 

Apesar das dificuldades características que um tipo de publicação como esta encontra para se manter e principalmente reverberar-se, os primeiros números de Germinal foram marcados por demonstrações inequívocas de grande aceitação por parte do seu público leitor. Mesmo enfrentando dificuldades financeiras, tal receptividade nos faz crer que os objetivos primordiais que nortearam a sua idealização, e destarte a sua consecução, estão ainda mais revigorados, uma vez que a divulgação de idéias e princípios por nós veiculados tem cada vez menos espaços, tanto nos órgãos da imprensa tradicional, controlada pelos mais diversos segmentos da classe dominante, quanto na chamada "imprensa alternativa", controlada pelos diversos grupos que administram os sindicatos e as centrais sindicais oficiais aqui no Brasil.

Esforçando-nos para manter viva essa proposta, tanto no ponto de vista da nossa prática cotidiana através da Oposição Operária, como por via da proliferação de tais idéias, estamos oferecendo aos trabalhadores e ao público interessado em geral, mais um número do nosso periódico.

Esta edição traz no seu bojo uma análise da atual e tão controversa conjuntura na América Latina, marcada fundamentalmente pela crise estrutural do modo de produção capitalista, que tem promovido uma série de manifestações das classes populares nos diversos países, contando, inclusive, com o recrudescimento da guerrilha na Colômbia, por meio das Forças Armadas Revolucionárias - FARC; além dos acontecimentos mais recentes na Venezuela do General Hugo Chavez e da crise alfandegária que abalou a já frágil estabilidade do Mercosul. Aqui no Brasil, a queda vertiginosa e constante da popularidade do presidente FHC denuncia a crescente insatisfação popular com as condições de miséria e indigência por que passa a esmagadora maioria da população brasileira.

Analisamos também a recente greve dos caminhoneiros que parou o país e fez com que todos percebessem a importância que os trabalhadores têm quando fazem valer os seus interesses, utilizando-se da sua mais potente arma - A Greve. Sem fazer apologia, muito pelo contrário, aos líderes desse movimento e a forma como o mesmo foi conduzido, o ato de cruzar os braços organizadamente demonstrou que se faz premente a construção de uma verdadeira Greve Geral.

Trazemos ainda uma avaliação do programa de privatizações implementado pelos governos federal, estaduais e municipais, que tornou-se o maior já realizado em todo o mundo, transferiu bilhões de dólares para os cofres públicos e importantes empresas produtivas para as mãos da iniciativa privada. Procuramos analisar a origem da participação estatal brasileira na economia, ressaltando o seu tardio processo de industrialização.

Por fim, discutimos a atual política de incentivos fiscais colocada em prática pelo governos estaduais, motivada pela imensa desigualdade existente na montagem da infra-estrutura produtiva que concentrou a produção industrial no centro-sul do país, legando ao restante do território nacional uma condição de mero consumidor dos produtos industrializados. A chamada "guerra fiscal" é um exemplo característico da aplicação das leis econômicas de produção capitalista, fundamentada no crescimento desigual e combinado, com base na lei do valor.

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