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A Importância da Base nas Decisões


A assembléia da última quarta-feira, 14.09.2006, deu-nos uma demonstração incontestável do peso e da disposição de luta dos bancários. Ao deliberar por um calendário que aponta a necessidade imediata de mobilização, inclusive com o indicativo de greve para o dia 21.09, desarmou a arapuca montada pela CONTRAF-CUT e os seus sindicatos, que contava em levar a campanha deste ano para depois do processo eleitoral.

Ao contrário da afirmação contida nos discursos dos sindicalistas, de que estaríamos isolados ao aprovar tal proposta, além da Bahia, assembléias realizadas no Maranhão, Porto Alegre, Florianópolis e Pernambuco, também saltaram na frente aprovando o mesmo indicativo.

Foi uma clara demonstração de força da base. Esta, quando convocada para tomar decisões que são de seu interesse, e comparece, tem a clareza por definir ações mais avançadas que a própria direção sindical. É importante ressaltar que a participação de cada um de nós nas assembléias é fator determinante para o futuro das negociações, como elemento de pressão não só para os banqueiros e o Governo, mas também para as direções sindicais que apostam, cada vez mais, no desgaste e no desinteresse dos trabalhadores, enojados da própria corrupção e entreguismo da casta sindical.

MUITOS LUCROS PARA OS PATRÕES! E OS TRABALHADORES?


Nós trabalhadores precisamos entender a nossa própria situação. Estamos sendo vitimados por uma onda de demissões, não apenas entre os bancários, mas em setores importantes, como as montadoras (vide o caso da Volskwagen, Mercerdes Benz, etc.). Enquanto isso, o patronato não mede esforços para atingir recordes e mais recordes na sua gana por lucros cada vez maiores.

No setor financeiro a realidade não é diferente. Os lucros estratosféricos conseguidos por meio de desumanas condições de trabalho, e da mais descarada roubalheira contra a clientela, torna a nossa luta uma batalha de toda a sociedade. Os atuais tempos de neoliberalismo do Governo Lula, tornam os banqueiros os principais favorecidos pela política econômica, uma seqüência dos tempos de FHC. 

Por tudo isso, a construção de um grande movimento nesta conjuntura é da maior importância para toda a classe trabalhadora, pois tem o poder de ser referência para outros segmentos de trabalhadores no país.
Pelo que observamos na última assembléia, há muita disposição para lutar e construir ações concretas aqui na Bahia. Essa realidade não é diferente no restante do país, visto que, em algumas capitais, o indicativo de greve também foi aprovado para o próximo dia 21. Além disso, já foi agendada uma rodada de negociações específicas pelos Bancos públicos federais (BB e CEF) para a próxima quarta-feira, dia 20/09. É justamente por este motivo que precisamos lotar a assembléia, para que possamos, de forma lúcida, organizar o nosso movimento com o objetivo de alcançar o que justamente reivindicamos.

O PACTO DOS SINDICATOS, FENABAN E GOVERNO FEDERAL


Sem dúvida alguma a chegada de Lula ao poder transformou a vida de algumas pessoas; menos a dos trabalhadores, que continuam em sua saga para tentar recuperar o poder aquisitivo. Isso, obvio, para os que ainda mantêm os seus empregos.

Muitos sindicalistas, no entanto, foram alçados a cargos de direção em empresas estatais e nos conselhos de administração de empresas privatizadas. Para esses, isso sim, a vida ficou muito melhor! E olha que não são poucos! Aos que permaneceram na esfera sindical, a expectativa é a de chegar aos tão almejados cargos. Dentre outros fatores, tal conduta implica no abandono das lutas, em privilegiar campanhas para cargos políticos; não para serem “diferentes”, como cansaram de apregoar aos quatro cantos, mas para perpetuar a prática da ladroagem e corrupção das mais sem vergonha.

Nos últimos anos temos observado isso com muita clareza. As nossas campanhas são demonstrações inequívocas de que as lutas e a greve, para os sindicalistas, são inoportunas e desgastantes. Precisam esses senhores defender com unhas e dentes essa estrutura sindical viciada e corrompida, que impede os trabalhadores avançarem em sua organização. A estrutura bancada com o nosso salário, não é colocada à nosso serviço, mas a serviço de candidaturas em todas as eleições, sejam elas para o parlamento, prefeituras, governos de estado ou Presidência da República.

A FARSA DA MESA ÚNICA: UMA VERGONHA!

Se observarmos todas as estratégias definidas nessas últimas campanhas salariais, encontraremos sempre algo em comum. A questão da mesa única, defendida a todo custo, nos mostra o compromisso dos sindicatos em boicotar a parcela mais avançada da categoria: os bancos públicos. E o motivo é mais do que claro: não expor o governo, defendido intransigentemente pelos pelegos. Já ouvimos em Congressos que “nós não podemos cobrar do Governo Lula, uma dívida herdada do Governo FHC”.

Em relação à FENABAN, promotora de exploração e demissões de bancários, não desenvolvem uma atuação mais dura com esse setor que suga e concentra riqueza social. Espoliam a população com altas taxas de juros e tarifas, humilhando aqueles que precisam de seus serviços, fazendo-os passarem horas esperando para serem atendidos. Não existe nenhum trabalho sério para modificar essa situação.

E, para completar, existem dirigentes sindicais, como o presidente da CONTRAF-CUT, Vagner Freitas, que afirma: “Nosso pedido é modesto. É realista. Os bancários estão se acostumando a fazer campanha salarial num contexto de estabilidade econômica e inflação baixa. Um aumento real de 3 a 4% representa um reajuste de 50% acima da inflação. Ainda estamos presos à mentalidade do período de inflação alta, em que os reajustes salariais eram de dois dígitos, mas sempre ficavam abaixo da alta dos preços. Era ganho ilusório”.

Pois bem, um discurso mais governista do que esse, nem do Ministro da Fazenda. Para nós bancários, trabalhadores em geral, desempregados, estudantes, homens e mulheres, a luta é única saída para a melhoria de nossas condições de vida. E isso passa por participarmos das decisões que teremos de tomar agora e no futuro próximo.

  • TODOS À ASSEMBLÉIA DO DIA 20.09.06 E À GREVE DO DIA 21.09 
  • Campanha salarial conjunta com fim da mesa única;
  • Buscar a unidade com outras categorias em luta nesse mesmo período;
  • Reposição das perdas salariais do plano real (30% bancos privados; 89% BB; e 101% CEF);
  • Eleição de representantes de base para participar das negociações;
  • Pelo abono dos dias parados durante as greves de 2004 e 2005 com devolução das horas pagas;
  • Assembléias específicas dos bancos públicos;
  • Isonomia de tratamento entre todos os bancários;
  • Jornada de seis horas para os comissionados
  • Jornada de seis horas para os comissionados;
  • Retorno do anuênio;
  • Restabelecimento do PCS;
  • Estabilidade no emprego;
  • Fim das campanhas de metas;
  • PLR de 25% do lucro com distribuição linear para todos os bancários;
  • Fim das terceirizações com extensão da convenção coletiva para todos os que trabalham nos bancos (limpeza, copa, segurança, etc.)
  • Manutenção da cesta alimentação e cesta refeição para os aposentados; além dos demais pontos contidos no acordo anterior.

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