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O Presente e o Futuro do Nosso Movimento:
Uma avaliação da Greve dos Bancários
Para as direções sindicais o movimento acabou com o fim da greve. Para nós, trabalhadores, o movimento continua. Queremos estabelecer esse diferencial, audacioso por certo, justamente para abrir um flanco, uma resistência a um padrão de conduta que permeia a atuação sindical há muitos anos. Uma atuação arraigada a uma estrutura viciada que, em conluio com os banqueiros e o governo de plantão, tem imposto duras e sucessivas derrotas aos trabalhadores do segmento da economia que aufere os maiores lucros, o dos bancos privados e públicos.
A estrutura sindical, a forma sindical, tem em si o germe da conciliação entre as partes, ou das classes em conflito. Em todo momento de acirramento, como é o caso de uma greve, essa estrutura se move não no sentido de potencializá-la, mas, ao contrário, move-se para criar obstáculos e impedir que os próprios trabalhadores criem a perspectiva de que uma greve seja vitoriosa. O maior problema para essa estrutura nem é como começar um movimento, mesmo porque quem faz isso são os próprios trabalhadores, mas como evitar que ele se transforme em uma greve forte, fora do seu controle, porque aí ela terá de agir para dar fim ao movimento. Assim tem sido ano após ano. Ainda mais notadamente durante o governo Lula, aliás, o chefe maior dos burocratas sindicais. É essa a principal tarefa de muitos dos sindicatos e das centrais sindicais. A Contraf/Cut é só um exemplo das muitas armações das quais hoje somos vítimas.
Por tudo isso, a nossa reflexão sobre o fim da Greve não pode ficar restrita apenas ao problema das direções, que são sempre pelegas, mas é preciso dizer que essa direção é apenas a expressão do que representa toda a Estrutura e toda a Forma Sindical. É justamente essa estrutura quem hospeda essas direções, que já deixou de ser dos trabalhadores há muito tempo. Por isso é que acreditamos que é chegada a hora de constituirmos uma nova forma de organizar a categoria necessariamente que seja por fora dos sindicatos. Queremos fazer esse debate de maneira muito clara e transparente de forma a que possamos assegurar as condições necessárias para que a própria categoria possa construir não só a sua nova direção como também os seus novos instrumentos de luta. Em breve estaremos realizando uma plenária de avaliação da nossa greve, aberta a todos os bancários, com a intenção de impulsionar esse debate. Doravante, é imprescindível que os trabalhadores dos bancos e todos os demais trabalhadores vejam a Oposição Bancária da Bahia não como proponente às direções dos sindicatos, mas como formas de negação da Forma sindicato e com vistas à criação de uma forma de luta autônoma e superior ao sindicato.
O QUE A GREVE NOS ENSINA
Toda greve eleva o patamar de consciência dos trabalhadores. É um exercício de poder por meio do qual mostramos ao patrão quem, de fato, faz a empresa funcionar. Se com a greve os patrões são obrigados a perceber a realidade por um ponto vista bem diferente daquele a que estão acostumados, para nós, os trabalhadores, ela nos traz ensinamentos que em nenhum outro momento, na sociedade em que vivemos, teríamos condições de alcançar. Por esse motivo é que reafirmamos: os sindicalistas acabaram com a greve, mas o nosso movimento tem de continuar. Motivos é que não faltam, e ele será encaminhado por nós mesmos se tivermos força para remover os empecilhos que temos pela frente. Força que já tivemos como na hora de entrar em greve, desconsiderando a orientação do funesto “Comando Nacional”, que foi destituído em várias assembléias pelo país a fora.
NENHUMA HORA DEVE SER COMPENSADA!!!
Nós devemos deixar uma coisa bem clara aos bancos, ao governo e aos sindicalistas: quem está devendo são os bancos e o seu sócio majoritário, que é o governo. Devem-nos muito e temos a obrigação de cobrar essa dívida, assim como eles, os bancos, fazem-nos cobrar de quem deve a eles. Se fosse pela vontade das direções, o nosso movimento nem teria acontecido, como já é sabido por todos nós que o construímos com um esforço extraordinário. Por isso, NÃO ACEITAREMOS PUNIÇÃO ALGUMA IMPOSTA PELA DIREÇÃO DA EMPRESA, que sequer quis receber os representantes eleitos nas assembléias de base. Esses nossos representantes vieram a formar o nosso mais importante instrumento nesta greve, que foi o nosso Comando de Base. NÃO ACEITAREMOS QUALQUER TIPO DE PUNIÇÃO OU RETALIAÇÃO, COMO O DESCONTO OU COMPENSAÇÃO DOS DIAS PARADOS. E devemos nos manter organizados, mais do que em qualquer outro momento, para alcançarmos esse objetivo imediato. Esta deve ser a nossa bandeira, por hora, exatamente para reforçarmos o diferencial do tipo de greve levada a cabo pelos dirigentes sindicais, que contribuem com os patrões até na hora de definir qual a punição a ser aplicada aos trabalhadores.
É bom lembrar que o acordo assinado com a Fenaban prevê que após 31 de dezembro deste ano, todas as horas “remanescentes” serão anistiadas, ou seja, o prazo, desta vez, é dos bancos e não dos bancários, pois só há possibilidade de compensação até o final do ano. No Banco do Brasil o acordo sobre as questões específicas sequer foi assinado até porque acreditamos que é necessário garantir a anistia integral dos dias parados. Entretanto, para que possamos ter assegurado esse direito, É FUNDAMENTAL QUE NINGUÉM SE DISPONHA A PAGAR HORA NENHUMA, pois estará doando ainda mais do seu trabalho para o banco.
Caso em sua dependência, o seu administrador esteja exercendo alguma pressão para que as horas sejam compensadas, DENUNCIE! Procure algum membro da Oposição Bancária, envie e-mail, telefone e/ou Nota Pessoal para que possamos adotar as medidas judiciais cabíveis. O nosso e-mail é: oposicaobancaria_ba@yahoo.com.br
A GREVE QUE PRECISA ACONTECER.
As Greves que fizemos nos últimos anos demonstraram que o nosso movimento precisa acompanhar o nível de desenvolvimento alcançado pelos bancos. É claro que é importante garantirmos a paralisação das agências e a adesão de TODOS OS FUNCIONÁRIOS, todavia é notório que os bancos conseguiram reduzir significativamente os impactos da greve por meio dos canais alternativos de atendimento como Internet, Gerenciador Financeiro, Caixas Eletrônicos, etc. Nós agora temos que lançar mão de recursos “mais sofisticados” para garantir o avanço também da nossa mobilização. Além disso, precisamos identificar os pontos centrais mais sensíveis na atualidade e isso inclui garantir a paralisação da compensação e dos serviços de tesouraria com piquetes reforçados nos lugares em que esses serviços funcionam. Vamos aprofundar esse debate na categoria para que na próxima greve tenhamos acumulado opiniões, propostas e sugestões que possam levar adiante esse movimento.

