R E V I S T A G E R M I N A L
EDITORIAL
É com grande satisfação que apresentamos aos trabalhadores e às organizações dos movimentos sociais, em geral, o primeiro número da Revista Germinal, a revista da Oposição Operária. Fruto de um grande esforço do conjunto da nossa militância, esse novo veículo de comunicação procura colmatar uma lacuna existente em nossa produção literária, composta ainda pelo Jornal Germinal e por “Boletins” específicos e esporádicos, todos voltado para a organização dos trabalhadores nas suas mais diversas esferas.
A Revista Germinal tem como principal objetivo, garantir a inserção da Oposição Operária no cenário contemporâneo dos debates e polêmicas que ocorrem atualmente entre as diversas posições políticas e que marcam a intervenção daqueles que, organizadamente, se propõem a contribuir com a luta dos trabalhadores tendo em vista a supressão da sociedade de classes.
Todos os temas tratados na Revista, guardam alguma relação com essa necessidade de construirmos uma interlocução com o conjunto do movimento organizado, no sentido de possibilitar uma melhor qualificação da abordagem que é feita por todos nós às diversas mobilizações ensejadas pela atual conformação da luta de classes.
Dessa forma, quer seja por meio da caracterização que fazemos da atual crise por que passa a sociedade capitalista; quer seja por meio da avaliação que desenvolvemos sobre as atuais formas de organização dos trabalhadores; quer seja pela posição que temos acerca do papel do Estado e de seus representantes nas suas mais variadas instâncias; quer seja pela definição que levamos a efeito sobre o caráter da sociedade brasileira, enfim, em todas as análises que fazemos acerca da nossa realidade objetiva, as nossas maiores preocupações estão voltadas sempre para a busca de melhor definir quais as principais demandas que estão colocadas hoje para o conjunto da classe trabalhadora e de que forma os elementos subjetivos podem intervir no sentido de potencializar as contradições de classe que levem à irrupção de movimentos revolucionários.
Daí porque temos como principal elemento da nossa intervenção no movimento de massa, a busca por construir o que chamamos de “Pré-Estado”, fundado à base dos conselhos operários de inspiração soviética. Temos um longo debate a travar a esse respeito, tanto no que tange a oportunidade desse projeto frente ao atual estágio de organização trabalhadores no Brasil, quanto no que diz respeito às especificidades da luta contra a burguesia e o seu Estado em nosso país.Acreditamos que chegada do Partido dos Trabalhadores ao Governo Federal foi o suficiente para dirimir todas as expectativas que alguns ainda tinham quanto a participação dos movimentos revolucionários na política de “Frente Popular” enquanto alternativa de ampliação das lutas emancipatórias da classe trabalhadora. O Governo Lula não deixa dúvidas quanto ao papel que cumpre o Estado, seja qual for o seu governante.
Os Partidos reformistas que conformam o núcleo duro da aliança governista tem se esforçado ao máximo para se mostrarem capazes de administrar o Estado burguês, dando continuidade, como não poderia deixar de ser, aos mecanismos de espoliação dos trabalhadores e de repressão e/ou cooptação dos movimentos organizados. Convivemos também com um movimento que se autodenomina “oposição de esquerda”, mas que ainda não rompeu com a perspectiva eleitoreira e que, com os mais variados argumentos, preferem lançar seus candidatos às eleições ao invés de denunciar o circo que é a “democracia burguesa”.
Por outro lado, começam a ressurgir as grandes mobilizações de massa, marcadas até então, por rebeliões de base contra as burocratizadas direções sindicais, a exemplo das greves dos servidores públicos federais e dos bancários em 2003 e 2004, ou ainda por grandes das manifestações de rua como as que ocorreram contra o aumento das tarifas de transporte coletivo em Salvador (BA), Florianópolis (SC), Rio de Janeiro (RJ), dentre outras capitais. O surgimento da Coordenação Nacional de Lutas, a Conlutas, que até então tem conseguido reunir um vasto setor das organizações de vanguarda que se propõem a impulsionar novas formas de luta frente ao ocaso do sindicalismo, pode vir a se constituir num importante instrumento de aglutinação dos trabalhadores, desde que não seja tragada para dentro do espaço sindical, marcado pelo legado cutista.
O crescente clima de instabilidade política e social por que passam vários países da América Latina é outro elemento que não pode deixar de ser levado em consideração. Em alguns desses países já é possível falar em um clima de situação revolucionária aberta, no qual a burguesia já não consegue manter o seu controle por sobre parcela significativa dos movimentos sociais, como é o caso da Bolívia, do Equador, da Colômbia e em alguma medida, da Argentina e do Peru. Essa situação nos impele a constituir instrumentos de intervenção de cunho internacionalista capazes de articular esses diversos enfrentamentos de maneira a espraiar o espectro que ronda a latinoamérica.
A crise da economia norte-americana é outro elemento da conjuntura a ser ressaltado. Afundados em uma dívida pública que chega a casa dos trilhões de dólares, os Estados Unidos, já dão sinais claros de uma quebradeira generalizada, acirrada pela crise do petróleo e pela substituição do dólar enquanto moeda prioritária nas transações comerciais globalizadas, o que já tem levado a gigantescas desvalorizações dessa moeda.
Com toda certeza, o momento em que lançamos o primeiro número desta nossa revista, é extremamente profícuo para que debates como o que nos propomos a fazer por este veículo, possam alcançar uma relativa repercussão entre os nossos interlocutores privilegiados, que são exatamente, os segmentos mais organizados da classe trabalhadora.
Saudações Operárias,
Oposição Operária
Brasil, outono de 2005.

